quinta-feira, 23 de julho de 2015

Minha Primeira Vez

Photo: Les Chux 
Estava com 14 anos quando decidi experimentar o sexo pela primeira vez.
Não foi com um cara que eu amava, não foi com uma pessoa que eu namorava há um tempão, não foi motivado por qualquer sentimento que me ligava a outro ser humano. Minha motivação? Um sentimento ainda mais humano: o desejo em descobrir ainda mais sobre minha própria sexualidade.
 Me masturbo desde que me lembro por gente. Nunca tive receio em explorar minha buceta, muito pelo contrário, esta necessidade em me divertir com sensações que me causavam prazer surgia com a vontade em saber mais sobre meu corpo, mais sobre mim mesma.
O sexo sempre foi tão natural pra mim que nem senti a necessidade em dizer para o cara que eu era virgem. Não por vergonha ou por assumir que era inexperiente. Na verdade, não queria me sentir troféu de ninguém. Não queria que alguém se sentisse especial por isso.
Estava em uma festa de amigos, típica festa adolescente. Álcool, música alta, banda rolando, drogas, risadas, muita pegação. Meu alvo: o vocalista da banda. Alto, forte, olhos verdes e bem mais velho que eu. O cara que toda menininha pirava. Nos pegamos durante a festa, bebemos, conversamos, rimos... Mas ele teve que assumir o microfone e me deixar de lado um pouco. Neste momento, a casa que era bem grande ficou pequena para tanta gente. Muita gente linda, gente linda e bêbada. Não demorou muito para eu avistar outro cara que mexeu com meus hormônios adolescentes. Enquanto o vocalista gostoso cantava, eu dava uns pegas bem gostoso em outro cara. Estava tão gostoso que nem percebi quando o primeiro cara me viu dando uns amassos no outro. Perdi totalmente a noção do tempo. Arrumei a roupa, o cabelo. Fui atrás de uma breja. Depois daquela pegação louca precisava de uma.
Um tempo depois o vocalista veio falar comigo, não faço ideia do que estava falando, nem me importei em ouvir, apenas disse que queria ir pra casa dele depois da festa. Só lembro dele aceitar. Fim da discussão - por fim quem vai comer será eu - aposto que foi isso que pensou. Mas não me importava o que ele pensava, o que toda a galera chapada da festa estava dizendo, a única coisa que importava naquele momento era me divertir. Me divertir de todas as formas. Foi aí que aconteceu, aconteceu meu primeiro beijo lésbico. Não lembro ao certo como cheguei naqueles lábios, só sei que foi incrível. Loira, cabelos compridos, olhos verdes e uma boca deliciosa. Quando criança sempre brincava com a buceta das minhas primas e elas com a minha, até chegamos a trocar uns beijos mas naquele momento descobri o quanto uma mulher me excitava. Estava quase desistindo de ir com o cara para ir pra casa da loira. Quase. Quando me dei conta estava ele parado na calçada com sua moto me esperando para partirmos. Com uma cara de bosta. Não faço ideia do que se passava em sua mente e também não me importei em perguntar. Só lembro dele dizer: você não tem jeito - aquela frase foi a mais coerente da noite. Finalmente havia entendido quem eu era.
Vadia? Vagabunda? Sem moral? Sim. Mas além disso, eu era uma adolescente que ansiava em descobrir os prazeres do corpo.
 Chegamos em sua casa, fomos direto pro quarto. Nos beijamos, arrancamos as roupas e rolou. Doeu, mas já sabia que seria assim. Não me senti diferente, ainda me sentia eu, só que agora sem cabaço. Essa foi a única diferença. Não me enxergava como vagabunda, indecente e sem dignidade por escolher perder a virgindade com alguém que não tinha vinculo emocional. Deixei o julgamento para os outros, desde muito cedo percebi que os humanos são experts nisso. Nos encontramos novamente depois de alguns dias, tínhamos o mesmo grupo de amigos, neste dia contei que era virgem antes daquela madrugada. Colocou as mãos em meu rosto e me deu um beijo na testa, vi em seus olhos que se sentiu especial. Ri mentalmente e deixei pra lá. Trepei com ele mais umas duas vezes, na terceira foi mais legal. Depois disso nos víamos em rolês aleatórios. Não senti amor por ele, não senti necessidade em ser sua namorada, não queria namorar ninguém, só tinha certeza de uma coisa: as próximas vezes seriam muito melhores.
Conhecer meu corpo foi essencial para me aventurar na união de corpos através do sexo. A consciência sobre a sexualidade fez com que regras opressoras se tornassem ineficazes em minha vida. Não importa quem me julga por ser quem sou, ninguém me conhece melhor que eu, ninguém conhece meu corpo melhor que eu. Ninguém pode me reprimir, pois nunca reprimi meus desejos.
Se preencher de si mesma, ter consciência sobre quem realmente é, te torna plena, te torna forte. Te faz um ser humano feliz em sua própria companhia. Não importa se faz sexo por prazer, por amor, o que importa é não negligenciar sua vida sexual por medo do que vão dizer de você. Por medo, medo de ser quem é, medo de ser mal vista, medo de descobrir sobre o próprio corpo, medo de ter prazer e ser taxada de vadia, medo em descobrir como funciona a própria buceta e descobrir que seu parceiro manda mal. Medo de ser feliz consigo mesma.
Neste ano, 2015, completou 10 anos, uma década que perdi minha virgindade. E a perdi como qualquer outro muleque. A diferença? Eu era uma menina. Uma menina que conhecia sua buceta como a palma da mão. O que me tornei? Um ser humano que conhece o significado de prazer, não apenas em seu sentido como palavra, mas na pratica. Na pratica do sexo, na pratica em fazer escolhas prazerosas, na pratica em ter uma vida plena e feliz comigo mesma e com as pessoas que fazem parte desta minha viagem de descoberta, aprendizado e evolução como um ser humano.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Decência, Essa Indecente

Mica Andrade em
Living Lust,
Direção: Nickk e Jully DeLarge
 
Hoje em dia não existe mulher decente 
- choraminga o bicho homem.
Pedi a ele que me dissesse o que significava decência, qual era a importância desta palavra pra ele. A única coisa que pude ouvir no ambiente foi o som do silêncio - então é isso que significa decência pra você? É uma coisa tão vaga assim? Pode ser qualquer coisa que você quiser que seja? Sinto lhe informar meu senhor, mas a decência não dispõe a seu favor. 
Aí fui procurar o que realmente significava decência e encontrei isso: Decência, do latim decentia, é a qualidade daquele ou daquilo que é decente. Ela está em conformidade com o sistema de crenças de uma determinada cultura, e, portanto, seus padrões podem variar ao redor do mundo. E ainda encontrei isso: s.f. Respeito aos bons costumes; reserva; honestidade; dignidade nas maneiras, na linhagem. Pundonor.
Descobri que sim, a decência serve ao dispor desse senhor, serve ao dispor de tudo e todos, é uma danada! Para manter sua existência se instala na necessidade de ordem como algo essencial, como base de uma conduta sólida. Na boa? Que se foda a decência! Ainda bem que está faltando mulher decente. Uma grande bosta, é isso o que a decência é pra mim: UMA BOSTA GIGANTESCA. Uma bosta que se instalou no cu do cérebro de vocês e fica alí, propagando um monte de merda na mente.
Agora vem a melhor parte: respeito aos bons costumes, b-o-n-s c-o-s-t-u-m-e-s. Costumes que se armam contra tudo aquilo que o ameaça. Os bons costumes se ameaçam contra tudo porque é de sua natureza ameaçar para manter a ordem. Te torna um ser indigno apenas para manter seu costume de ser bom, mesmo já não sendo bom, por pura vaidade.
Decência, um monte de palavras que os seres humanos associam entre si como sendo a mesma coisa mas na verdade uma coisa não tem nada a ver com a outra, e vocês ainda querem me enfiar por guela abaixo que devo ser decente, porque mulher tem que ser decente, porque a decência te faz um ser humano melhor. (Risos)
A própria decência confunde honestidade com "respeito aos bons costumes". Essa decência indecente que faz as pessoas acreditarem que você não é honesto se não respeitar o que lhe é imposto. Esses bons costumes de bom nada tem a me oferecer - não seria desonesta eu comigo mesma se respeitasse modos que por costume apenas levam agressão em suas ações? Não obrigada. Prefiro ser desonesta contigo ao invés de ser desonesta comigo, cara sociedade.
Dispa-se de si mesmo. Fique completamente pelado. Não tire apenas as roupas, tire todas as barreiras que você mesmo colocou para não enxergar o que reside em sua essência. Estar pelado não é quando você se olha no espelho e enxerga um corpo nu. Estar pelado é quando você olha pra dentro de si, se reconhece em todos os seus monstros e se gratifica por toda a benevolência que sobrevive meio a tanta maldade. Isso é estar pelado, é estar frente a si mesmo completamente desarmado. Sem roupa, sem máscaras, sem moral, sem dignidade, sem decência. Pois nada disso importa quando estamos pelados frente a nós mesmos. Esse tipo de coisa é o que mantém essa falsa ordem. É o que mantém esse monte de gente fugindo de si mesmos. 
Está faltando mulher decente, meu senhor? É porque descobrimos que essa decência, essa palavra que você só sabe o nome, e significado algum possui, essa tal de decência é também a mais indecente de todas. Engana o homem desde sua existência como palavra. Já que na própria decência reside a indecência, imagine em mim.

sábado, 27 de junho de 2015

Goze Com Seu Corpo, Mulher

Photo: Les Chux
Antes de pensar em trepar com os os outros, trepe consigo mesma.
Bendito seja o corpo que conhece a ti mesmo!
Creio que este pensamento nasceu comigo. Minha mãe sempre me conta que depois de muito brincar, não importava onde eu estava, em algum momento do dia eu dedicava a brincar com meu próprio corpo. Daquela maneira instintiva que toda menina faz. Não sabe bem o que está fazendo mas a única coisa que importa naquele momento é aquela sensação gostosa que causa. De costas eu deitava, entrelaçava as pernas e alí me divertia com as sensações que o clitóris me proporcionava, mesmo desconhecendo a função ou até mesmo a existência dele. E eu fazia isso onde eu estivesse: no quarto, na sala, na cozinha, no quintal,  na casa de parentes e até mesmo na van da escola. Lembro muito bem que quando estava na pré-escola eu sempre era a última a ser levada para casa, quando me via sozinha na van escolar, os bancos do fundo se tornavam meu playground, um playground que me fazia mergulhar em meu próprio corpo. Eu era uma criança, e como toda criança, a curiosidade sobre meu próprio corpo e sobre os corpos das pessoas a minha volta me despertava muito interesse, e eu nunca tive receio em ir de encontro a esse Universo desconhecido. Não era ruim, muito pelo contrário, era muito bom. 
Nós mulheres nascemos com uma parte do corpo cuja única função é nos causar prazer. Foi um trabalho árduo da sociedade domesticar esse instinto. Sujas, imorais, escória. É isso que querem que sintamos quando nos tocamos. Um prazer repudiado. Mas se é prazer que me causa, e destinamos a palavra prazer para coisas boas nessa vida, por que deveria eu enxergar minha sexualidade como algo ruim? Não deveria. Isso é tão contraditório que não sei como perdura por tanto tempo. Em algum momento da história alguém decidiu que os instintos humanos eram perigosos e para manter a ordem era necessário controlar esses impulsos. Só não fizeram cartazes de procurado para o clitóris para que mais mulheres não descobrisse a existência dele. Decidiram, sem me questionar, que a minha sexualidade é repugnante. Enquanto eu, decidi que vou continuar gozando com meu corpo, sem culpa. 
Nunca senti culpa ao me tocar. Não sei se isso se deve ao fato de nunca ter sido repreendida pela minha mãe quando me encontrava descobrindo o meu corpo. De certo modo, por mais sútil que tenha sido, essa atitude em não me repreender nesse momento  de intimidade e descoberta fez com que eu crescesse enxergando o sexo como ele é: natural. Tão natural quanto a vida e a morte.  
Por isso eu te digo, mulher: seu corpo é lindo. Seu clitóris e sua buceta são seus aliados no universo do prazer. Se toque de que a única pessoa que tem o poder de mostrar como a sua sexualidade deve ser sentida é você mesma. Se toque sem culpa, e se toque como queira.
Se masturbe ouvindo Blues, sem medo e sem receio. Se ame, contemple seu corpo, o conheça. Descubra e sinta os prazeres que seu corpo anseia por desfrutar contigo e prolongue a sensação de felicidade. Orgasmos múltiplos garantidos!  

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Além Do Medo

Você é muito louca.
Nossa, não sei como teve coragem de fazer isso!
Mas não tem medo do que vão dizer?
O que sua família diz sobre isso?
Mas, mas, mas...
Como?  Por que? Pra que? Como consegue? Como?
Como consegue ser você? Como consegue ser você sem se preocupar com nada?
Mas os outros... Mas os outros vão dizer... Como? Como consegue? Me diz!
Não dói ser você mesmo?

O suplico dos desesperados. As perguntas desesperadas por respostas. As respostas que chegam sem resposta alguma. O ser perdido em si mesmo. A vida que se perde antes do fim. A vida que morre em vida.

O suplico dos desesperados por vida ressoam como intermináveis indagações para os que vivem uma vida sem se esconder de si mesmos.

Eu, deste lado da vida, não entendo do que sentem tanto medo.
Medo do que vão dizer?
Por que eu deveria levar em consideração a opinião de pessoas que eu não conheço?
Elas sabem o que eu deveria fazer da minha vida melhor que eu?
Essas pessoas conhecem os meus mais íntimos sentimentos? Os meus mais profundos desejos? Essas pessoas querem meu bem mais do que eu mesma quero?
Então por que suas palavras carregam tanto veneno?
Por que suas intenções são tão amargas?
Por que teu dedo aponta quando diz que está opinando?
Por que meu próprio ser me diz para me preocupar em viver enquanto teu ser lhe diz para se preocupar com os outros e esquecer de viver? Esquecer do que quer. Esquecer de quem é.

Do que tem medo? Por que se esconde de si dentro de si?

Não dói se olhar no espelho e não reconhecer a si mesmo?

Não tem medo de viver uma vida que não te orgulha?
Não tem medo de morrer e descobrir que nada viveu?

Um vestígio de vida. Respingo de vida. Suplica pela vida.
Cadê tua voz?
Secou na garganta?
Selou as palavras. Trancou a vida. Secou a vontade da vida de viver sua própria vida.
Por medo, medo de encarar as palavras venenosas dos julgadores.
Mas no íntimo a vida continua sedenta por vida.

Não deixe que te calem, não deixe que sequem sua vontade de viver.
Arrebente as linhas que te calam!
Photo: Rafael Avancini
Modelo: Jully DeLarge
Procedimento: Luciano Iritsu







Saia de perto de mim medo frouxo, pois medo algum tenho eu em viver uma vida sem medo.

Photo: Edgar Salazar







Me permito sentir, sentir, viver, sentir a vida, sentir a emoção da vida; sentir os prazeres da vida, sentir o prazer de viver a vida; sentir tudo o que há de sentir com a vida.
Photo: Rafael Avancini
Suspensa: Jully DeLarge
Suspensão realizada por: Luciano Iritsu
Texturas Sonoras: Jorge Peña




O recompensador da vida é encontrar pelo caminho pessoas que te fazem voar... Ao som do Universo.
Photo: Rafael Avancini
Suspensa: Jully DeLarge
Suspensão realizada por: Luciano Iritsu
Texturas Sonoras: Jorge Peña






O que me deixa ainda mais feliz:
Ter encontrado meu ser além do medo.
Me sinto forte, me sinto completa.
Ninguém pode me deter. 
Photo: Rafael Avancini
Perfurações: Luciano Iritsu
Modelo: Jully DeLarge
Neste momento, ouvindo meu playlist do Led, observo a foto acima. Esta foto me remete inúmeras sensações, um misto de superação, prazer e satisfação.
Se permitir ir além do medo é permitir encontrar seu novo ser do outro lado da experiência.
Obrigada Rafael Avancini e Lucinao Iritsu pelo momento incrível. Obrigada por eternizar tão belo momento em uma foto tão bela!


Muitas coisas nessa vida me fazem refletir, pensar, pensar, pensar e não chegar a conclusão alguma, e uma dessas indagações é sobre a minha própria sexualidade. Por que meu sexo ofende? Por que as pessoas usam a minha sexualidade contra mim? Por que eu não posso ser uma mulher que gosta de sexo, que simplesmente gosta de trepar com outras pessoas e seguir com a minha vida sem que isso se torne uma ofensa?

E a única conclusão que consigo chegar é que: seres humanos são uma bosta.

Gente que surgiu de uma boceta e mesmo assim acha que mulher que trepa não presta.
Vocês têm muito o que aprender.
E toma um close!

Photo: Rafael Avancini
Perfurações: Luciano Iritsu
Modelo: Jully DeLarge







Gosto de trepar e gosto de mostrar sim!


Vocês estão tão errados em achar que mulher deve se envergonhar por trepar que não consigo entender como acham que estão certos.




Uma cena amadora minha e do Nickk está disponível para os sem vergonha de plantão <3
Porque fomos além da vergonha e do outro lado encontramos um universo repleto de prazeres sem vergonha.

http://www.xvideos.com/video9638320/jully_delarge_e_nickk_-_porn_amador






E eu amo boceta. Acho triste ter que sufocá-la com roupas.

Bocetas livres, já!
Livres de roupas, de opressão, de cagação de regra.
Você não vai deixar de ser uma mulher que presta só porque dá muito por aí.
Já passou da hora de entender que boceta não vem com prazo de validade, que pode usar a vontade que não estraga não.

Photo: Les Chux


Pode tocar a vontade também.
Sinta-se livre para se sentir, mulher! Se dar prazer!

Vai ser bom, você vai gostar.
Photo: Felipe Bertarelli










Sou Jully DeLarge, dizem que sou louca por viver assim.

Eu digo que os loucos são vocês por não viverem.











segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Pólos Que Habitam Em Mim

Photo: Aivan Moura
Tão doce e amarga, tão calma e facilmente irritável, tão sonhadora e realista. Essa sou eu sendo eu. Me conheço há tempo de mais para dizer que sou apenas um dos pólos, que não habita em mim inúmeros extremos. Sou de carne, de sonhos não palpáveis; de ossos, de humor muito longe de ser sólido; de sangue, de uma corrente inconstante de pensamentos. 
Rolo, pulo, corro e quando me canso durmo nas nuvens de algodão, naquelas de maior altitude, são mais pomposas dos que as que estão mais próximas do chão. E as como quando se transformam em algodão-doce. Brinco de carrossel nos anéis de Saturno. Assumo o lugar da bailarina na minha caixinha de música preferida. Sigo até o final do arco-íris para encontrar o pote de ouro mas só para trocar por um arco-íris feito de pirulito. Aposto corrida com um cometa, mas sempre peço pra ele me trazer de volta pra casa, nunca lembro o caminho. E quando quero ficar só, me imagino como um plâncton nas profundezas das águas mais escuras, seguindo seu caminho sozinho conforme a dança incessante da maré. E quando a larica bate vou atrás do hambúrguer de siri.
Um humor de velha, uma imaginação de menina, essa sou eu sendo eu novamente. Uma jovem velha menina. Um paradoxo constante. Uma existência inconstante. Um vendaval de emoções, uma feição pouco amigável, uma busca incansável pelos prazeres do viver, das sensações ainda não sentidas, dos mundos ainda não conhecidos, dos sabores ainda não experimentados. E enquanto a realidade nutrida por corações obscuros insiste em roubar o brilho das cores, eu prefiro continuar a brincar de esconde-esconde na poeira cinzenta da 

Lua.

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Uma Brisa Gentil

Photo: Aivan Moura
As noites frias e as tardes quentes exercem uma nítida influencia em mim e me ensinam a contemplar e a compreender os opostos. O frio, com toda sua rigidez, abraço gélido e um olhar solitário me aquece. Me aquece porque me faz apreciar uma cama quente para repousar, me faz valorizar um abraço aconchegante e caloroso, me faz buscar um olhar apaixonado e sedento por uma noite interminável de amor e loucuras. Uma dose de conhaque, duas, três... Assistir um filme enrolada no edredom, comer brigadeiro de panela, ter eargasms ouvindo Portishead no meu quarto fechado e escuro enquanto escrevo meus pensamentos. Trepar durante um banho quente, adormecer nos braços de quem amo. O frio me ensina o valor e a importância do calor, de me sentir aquecida por sentimentos tão verdadeiros quanto o Sol que nos proporciona vida, da importância de me aproximar das pessoas e lhes oferecer meus mais calorosos sentimentos. De apreciar os primeiros raios de Sol pela manhã.
Por sua vez, os dias quentes com todo seu esplendor e cores cintilantes me faz lembrar que a vida não se resume apenas nos meus pensamentos não-lineares e insanos, que a vida só é vida porque temos uma Mãe Natureza bondosa. Me faz lembrar o quanto eu amo as folhas das árvores reluzentes sob a luz do Sol, o quanto eu amo a sombra fresca que as árvores me propiciam e gentilmente me convida a repousar e ler um livro, ou simplesmente repousar e contemplar as nuvens encenando um filme extraordinário com personagens tão excêntricos e pomposos no imenso telão azul chamado céu. Me faz reverenciar ainda mais a magnitude e a importância da água, a água que me permite viver e me refrescar. Eu amo mergulhar na água fria de uma cachoeira num dia quente de verão. Eu simplesmente amo sentir uma brisa fria numa tarde quente, me faz perceber que o frio também é acolhedor e gentil.
Uma manhã cinzenta e um vento frio me proporcionam mais alegria do que uma manhã ensolarada, confesso. Não sei exatamente o porquê mas sei que é assim. Talvez se deva ao fato da minha pessoa ser mais introvertida e melancólica, ou talvez seja apenas eu tentando me justificar a mim mesma. Não menosprezo a benevolência dos dias ensolarados, eles sempre me dão uma nova perspectiva, me ensinam muito. Mas eu me identifico com o frio, somos existências semelhantes. Com toda minha frieza apenas esperando alguém que me compreenda, busque se aconchegar, e perceba que  posso ser gentil, assim como a brisa fria numa tarde quente. E assim como eu compreendo o frio eu encontrei alguém assim, que me compreende além dos sentidos.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Olhar Sagaz

Do ensaio "A Distorção dos Sentidos e a Essência dos Desejos"
Photo: Aivan Moura
O convite foi feito. Um olhar sedento por prazer exala a curiosidade incontida sobre nossa intimidade. Acenda as luzes, feche os olhos e apenas desfrute o momento. Minha língua desce lentamente e sobe até a cabeça lambuzando tudo pelo caminho; desço novamente de encontro a seu ponto fraco, seu corpo se contorce e não nega o intenso tesão que te domina. Sinto seu prazer crescer em minha boca e meu prazer escorrer pelas minhas pernas. O olhar curioso não perde um detalhe sequer, tudo é registrado, a excitação crescente preenche cada espaço do quarto, preenche cada espaço em nós.
Numa forte e profunda penetração nossos corpos não mais contidos se entregam, se esfregam, se deliciam, e a cada entra-e-sai incessável ouço meus gemidos mais e mais altos. Ah, nosso bel-prazer! Um exibicionista libertino, ir mais e mais além é o que importa! Não se cansa, quer se exibir em todas as posições, em todas as direções, não se intimida! 
Em um movimento me poe de quatro e me penetra cada vez mais forte e mais rápido, me molho cada vez mais, te sinto maior e mais duro; o click da câmera cada vez mais veloz acompanha nosso ritmo. 
Meus olhos encontram os seus com um olhar de pura malicia que já nos é intimo, um beijo molhado de tesão faz nossa respiração ficar cada vez mais intensa. Suas mãos me acariciam, me apertam, me arranham e me fazem gemer ainda mais alto. Não me contenho, entrelaço os dedos nos seus cabelos e os puxo com força, um sorriso maléfico surge; outro ponto fraco te faz delirar. Me castiga com puxões de cabelo ainda mais fortes, me coloca de frente com as pernas nos ombros, me lança um olhar de carrasco e mete com tanta força que um alto gemido nos surpreende; lembro por um momento que é um local desconhecido pela nossa libertinagem mas o olhar libidinoso e a câmera voraz parecem se empolgar ainda mais. O breve pensamento se dissipa e é substituído rapidamente por um gemido ainda mais alto. Minhas pernas tremem, minhas unhas penetram em sua pele, sinto o gozo chegar! Me contenho pois quero que o momento dure mais e mais, mas a excitação nos domina e junto contigo gozo de um prazer imensurável!
Um sorriso em nossos rostos é evidente, e o olhar sagaz do curioso se mostra tão satisfeito quanto nós. O momento acabou mas a experiência foi registrada pela câmera voraz e estará eternizada em nossas vidas.
Do ensaio "A Distorção dos Sentidos e a Essência dos Desejos"
Photo: Aivan Moura